Sobre padrões e realidades, um texto de Daniele Endler.

[PAPO SÉRIO] O que é ser uma mulher dentro dos padrões que a sociedade impõe?

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Como a maioria das pessoas sabe, o intuito do Bendito Fruto é mostrar pessoas reais, com histórias reais, sem edição de imagem.

Muita gente criticou o projeto dizendo que só tinha mulher “gostosa” por aqui, que por mais que não existisse photoshop nas fotos, essas mulheres se encaixavam dentro do padrão imposto pela sociedade. Só que precisamos entender que o padrão que muitas pessoas dizem existir, é imposto por elas próprias, com a diferença de ser o “seu próprio” padrão.

Devemos aceitar que pessoas podem divergir do que é o “padrão”, e achar que X ou Y se enquadram nele, quando nem X nem Y se enxergam dentro desse “padrão”.

Uma mulher tatuada está dentro dos padrões? E uma baixinha? E uma mulher que sai de casa pra beber com as amigas (ou apenas com homens)? Ou então aquela mulher que transa no primeiro encontro, sem se preocupar com o julgamento alheio no dia seguinte? E aquela menina lá da sua rua que anda de skate e usa roupas largas? E a que usa minissaia mesmo sabendo que vai ouvir todos os “elogios” quando colocar o pé para fora de casa? Todas essas seguem um padrão?

Desconstruindo.

Mulher cresce ouvindo que não pode sentar de perna aberta, que não pode mostrar o corpo, que deve “se dar ao valor”, que não pode engordar porque nenhum homem vai te querer, que é feio sentar numa mesa de bar, falar palavrão ou transar com mais de dez caras na vida inteira. Além disso, tenho certeza de que todo mundo aqui já ouviu falar em distúrbios alimentares (bulimia, anorexia, entre outros). Pois é… A mulher pode ser magra, estar dentro do “padrão” e, mesmo assim, não se aceitar, não se amar, por diversos motivos que cabem somente a ela. O padrão vai muito além da forma física, galera (que, convenhamos, exige muito mais do que vocês imaginam, pois tem que ter medidas milimetricamente de acordo com as modelos de capa de revista)! O padrão está também no comportamento.

Sabe aquela sua amiga que todos olham por onde ela passa? Mesmo que ela esteja de chinelo, calça jeans e camiseta? Ela pode não se achar bonita, pois alguém um dia disse que o nariz dela era feio, ou que o peito dela era caído e ela levou isso como verdade absoluta. Então um dia ela vai fazer uma rinoplastia e colocar silicone nos seios. E talvez dê algum problema na cirurgia e ela fique para sempre com uma cicatriz que a mostre que a sociedade estava errada. E isso serve para aquela menina negra que é linda, mas alisa os cabelos e pinta de loiro para ficar mais parecida com as atrizes da Globo. Ou aquela que tem sardinhas mas usa uma base para cobrir as marquinhas. Ou ainda aquela que tinha um pouco mais de curvas e faz uma lipo, pois todo mundo fala pra ela que ser “gordinha” é feio.

Mas também tem aquela menina que vai todos os dias pra academia simplesmente por gostar disso. E tem também aquela que apenas estuda, que usa óculos e aparelho. Ou a menina que alisa os cabelos e se maquia porque ela se gosta assim, tanto quanto aquela que prefere não usar maquiagem alguma. Aquela que é magra por que a natureza quis assim e aquela que é gorda, se ama e não vê motivo algum para emagrecer. Todas elas têm a sua beleza, todas elas seguem o padrão que querem seguir, não o que é imposto a elas. É muito importante respeitar a liberdade de cada pessoa. Entender que ela tem o poder sobre si e, principalmente, que ela é muito mais que sua aparência.

 

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A indústria da mídia sobrevive de tendências e mercado e, para isso, ela se baseia em tipos que pode “vender”, que duram algumas temporadas e depois são trocados por outros. Na década de 50, o padrão era ter curvas, bundão, peitão. Já na década de 90 o padrão passou a ser a Gisele Bündchen. Portanto, ser alguém real é muito mais do que ser magro ou gordo, alto ou baixo, com ou sem peito. Ser alguém real é ser verdadeiro, com todas as suas características.

Aceitar-se, amar-se como se é, pelo que se é.

Mudar sim, mas apenas por si mesmo, nunca pelos outros. Real é tudo aquilo que não precisa de manipulação para ser adequado à vontade dos outros. Lindo muito além do que se vê, lindo pelo que faz, pela forma como se move, como ama, como sonha… Beleza real é muito mais do que uma imagem em frente a uma câmera. É um caráter integro de uma pessoa que percebe a si mesma como um ser único, belo e incrível pelo que é, seja como for.

Então, pessoal, antes de criticar alguém por não se gostar mesmo estando no “padrão”, vamos entender de vez o que é esse maldito padrão.

E entendam o quão libertador é uma pessoa poder se amar independente da sua forma física, da sua cor, da sua sexualidade, da sua crença, da sua altura, cor dos olhos ou do cabelo, de ter ou não tatuagens, piercing, sardinhas, cicatrizes, celulite ou qualquer outra coisa que a torne única. <3

Texto de Daniele Endler Sobieszczanski, que não se encaixa em padrão algum, mas aprendeu a se amar como é.

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2 Comentários

  • Daniele Endler Sobieszczanski 14 de outubro de 2015   Reply →

    <3

  • José Ilhano Silva 7 de novembro de 2015   Reply →

    Excelente

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