Zed Alves

Homens

 

Pra mim, o conceito de perfeição é totalmente utópico.

“Eu ganhei o apelido Zed quando eu tinha uns 20 anos.
Entrei pra uma banda de um cara que veio a se tornar um dos meus melhores amigos e ele criou esse apelido.

Um diminutivo do meu nome que acabou virando praticamente uma nova identidade, pois depois daquele período a minha vida mudou completamente.
Dali em diante eu caí no que eu chamo de “mundo do entretenimento”: festas, música, shows, pessoas, pessoas e mais pessoas.
Gravei disco, toquei no rádio, fiz shows em outros estados, produzi festas, conheci gente famosa, vi amigos se tornarem famosos e cada vez mais ampliei o meu universo de pessoas conhecidas.

Pouco tempo depois parei, fui deixando de lado, e fiquei alguns anos completamente fora disso tudo. Abandonei esse mundo.

Até que um dia, por diversas coisas da vida, acabei voltando. Voltei a tocar, caí no mundo da produção com força, voltei pras festas, conheci mais pessoas, pessoas e pessoas.
Já perdi a conta de em quantas festas, shows, eventos e bandas eu já estive envolvido.
Quantas pessoas eu entretive, bem ou mal.

E acabei descobrindo que é isso mesmo que eu gosto de fazer. … isso que eu amo fazer.

Mesmo que não renda tão bem as vezes.

Aprendi muita coisa nesse tempo todo, vi muita coisa acontecer, conversei com muita gente.
Mas uma das coisas mais importantes que eu aprendi foi que eu não posso sair desse mundo, por que é ele que me faz feliz.”

“Todo mundo tem problemas, traumas, situações difíceis na vida, coisas assim…

Eu também tive os meus. Alguns tenho até hoje.

Mas foram justamente estes que me ajudaram a perder o medo de enfrentar o mundo de frente.
De me desafiar.
De subir em um palco pela primeira vez e encarar uma platéia numerosa de peito aberto.
De gerenciar uma festa grande praticamente sozinho.
De lidar com problemas públicos de forma pública com coerência e respeito.
De falar com quem for necessário sem faltar com o respeito, e sem me menosprezar.
De fazer um ensaio fotográfico pela primeira vez aos 37 anos.

Eu perdi o medo de me respeitar, mesmo que algumas pessoas achem que eu esteja sendo arrogante ou egoísta.

Eu perdi o medo de ser coerente, mesmo que achem que eu estou tentando manipular ou enganar alguém através da linguagem ou de atitudes.
Eu perdi o medo de mostrar quem eu sou, mesmo sabendo que muitos não vão gostar de mim assim.
Eu entendi que eu sou apenas mais um por aí fazendo o melhor que pode pra ser feliz.
E pra isso eu não preciso acabar com a felicidade de ninguém.”

“Eu acredito em dois pilares básicos de convivência:
respeito e confiança.

E eles são determinantes em qualquer tipo de relação, acordo, negociação ou sei lá mais o que.

Seja o teu relacionamento aberto ou fechado, teu contrato com seu chefe ou funcionário, o produto/serviço que tu vende pro teu cliente, o livro emprestado do amigo, aqueles trocados que tu tá devendo pra dona da lojinha da esquina, o celular perdido que tu encontra no meio da festa ou a promessa de não comer a última guloseima do teu colega de apartamento sem repor o estoque.

Tudo isso determina como tu te relaciona.
Pro lado ruim ou pro lado bom.
O fato é que sem respeito e sem confiança nenhuma relação social perdura, e as coisas só pioram.
Afinal, ninguém vive sozinho.”

“Pra mim, o conceito de perfeição é totalmente utópico.

Assim como beleza e, muitas vezes, o de qualidade.
Penso assim por que enxergo todos estes como conceitos relativos, relacionados ao que desperta prazer em cada indivíduo separadamente.

O que te agrada nem sempre agrada os outros, e vice-versa. Isso acaba também mexendo bastante com o conceito de certo e errado, que não geram consenso em toda a sua plenitude (apesar de algumas coisas certas e erradas serem unanimidade).

Mas acho que mais importante do que o próprio certo ou errado, é a tua postura em relação à eles.
Afinal ninguém sabe tudo e as vezes comete enganos e erra com algumas pessoas.
Nessas horas eu prefiro avaliar a tua atitude em relação ao erro do que o erro em si.
Obviamente, a partir do momento que eu deixo claro que aquilo foi um erro e que me afetou de forma x ou y.
ninguém é perfeito, nem melhor do que ninguém. Mas isso não te impede de tentar ser o melhor que tu puder ser.”