Wagner Abreu

Eu cresci no bairro Morro Santana em Porto Alegre, venho de uma família humilde, filho de mãe solteira, da saudosa Dona Leda.

Minha história de vitória e glória é estar vivo.

Sou cadeirante há dez anos, fui alvejado com sete tiros, lembro quando fui baleado, passou um filme de tudo o que fiz na vida até aquele momento. Estava no lugar errado, na hora errada, e tudo isso por conta de uma discussão que tentei apartar.

Desde então, levo meu corpo com meus braços. Sou um cara totalmente otimista mesmo com as adversidades, a vida me levou a uma bela jornada e pude conhecer pessoas novas e maravilhosas, tenho valiosos amigos de infância que levo dentro do meu coração.

Tenho lembranças quando eu precisava ir na fisioterapia os mesmos amigos eram leais a mim, levaram tudo de forma espontânea durante o ano todo até que eu concluísse os tratamentos.

Lembro de uma história me fez mudar meus conceitos em relação a minha imagem. Eu estava barbudo e desleixado, logo depois que fiquei cadeirante, outro amigo me parou e falou algo que me fez pensar. Ele disse “cara, sabe os filmes de guerra? Todos os soldados sabem que vão morrer! Eles estão prontos pra guerra e mesmo sabendo que a morte os assombra, eles não deixam de fazer a barba, os caras morrem com ego. Nós não estamos numa guerra! Não deixa teu ego morrer!!!”

Essa frase tocou fundo nos meus pensamentos.

Na época em que fui baleado outro amigo gravou uma musica em minha homenagem, quando eu ouvi, fiquei emocionado e feliz em ser homenageado em uma musica (homenagem ao sorriso). Eu percebi aos poucos que mesmo com altos e baixos você pode ter, conseguir e conquistar o que quiser.

Com as minhas limitações eu aprendi a viver de forma diferente. Não ligo para o que a sociedade acha sobre ser um cadeirante apenas vivo e tento ser feliz, eu acho que ter um sorriso no rosto te deixa mais nobre e mais forte.

 

Eu tive que conhecer meu corpo e percebi que realmente o corpo humano é uma maquina divina.

E eu aprendi a forma de lidar com o meu, o começo dessa etapa na minha vida foi muito diferente e difícil , não me aceitava pela situação que eu me encontrava, tive que trabalhar meu psicológico, refletir,  fazer uma autocritica, criar coragem  e matar no peito minha situação a qual eu me encontro.

Aprendi que não é a cadeira de rodas que vai me tornar menos homem,  uso a cadeira de rodas como fosse um instrumento de trabalho, uma ferramenta. Realmente passei por momentos difíceis até conseguir me adequar e adaptar a nova realidade. Gosto de quebrar paradigmas e contrariar o pessimismo das pessoas que dizem que a vida acabou por conta de alguma deficiência, A vida não acabou não, a jornada tá apenas no inicio, seja como for ou onde for.  Trabalhando e superando pra chegar lá, mas com muita garra e determinação e principalmente amor.

 

Estou tentando quebrar essa tradição das pessoas acharem que cadeirante não tem uma vida social, emocional e principalmente sexual. É OBVIO QUE TEMOS SIM!!

Meu lazer é mexer em motor de carro e passear com o (Função) meu HOT DOG da sorte. Sou pelo Função e o Função é por mim.

Atualmente estou cursando Jornalismo, fui apadrinhado nesse mundo pela Juliana Carvalho, uma apresentadora de programa televisão, sou grato à ela e outras pessoas por terem me envolvido nessa viciante profissão que é o jornalismo.

Graças a ela eu achei a profissão que quero seguir. Quando comecei a trabalhar na área percebi o que realmente eu quero da vida, amei essa profissão apaixonante, tento sugar o máximo de informações dessa área. “Meu nome é Wagner Abreu  programado pra perguntar”.

“Tente  investir menos em que as pessoas pensam de ti. Em vez disso, investir na sua capacidade e determinação para ter sucesso.  Faça de hoje um dia produtivo e progressivo. Lutar por algo ou você vai se apaixonar por nada!’’