Stephany Sander

Mulheres

 

“Eu tô bem diferente do ensaio que fiz em abril pro Bendito.

Fisicamente, o lado do cabelo que era raspado cresceu, e ganhei mais algumas tatuagens.
Emotivamente falando, eu perdi pessoas importantes, mas também encontrei algumas bacanas pelo caminho.

Mas não posso reclamar, porque eu sempre gostei de mudar.

Acho que as mudanças tornam a vida mais interessante. Gosto de desafio, me sentir que estou fazendo algo novo. Eu tinha um (péssimo) hábito, de trocar de emprego, mais ou menos, a cada dois anos. E isso que o jornalismo é dinâmico né!? Mas… sei lá, eu enjoava. Mesmo sem rotina, cansa escrever sempre sobre os acidentes na volta dos feriadões, dos alagamentos que tiram milhares de famílias de casa, dos excessos do carnaval, e por aí vai. Eu não gosto de me estagnar. Não curto pessoas acomodadas. Tanto no trabalho, quanto na vida amorosa. Tem gente que leva um relacionamento, que já não faz bem pra nenhum dos dois, por anos, só pra não ficar sozinho.

Eu fiz isso, tive um relacionamento por 7 anos, quase casei, mas percebi que era puro comodismo. Depois namorei um colega de trabalho por um ano, e fui traída, quem nunca né?

E desde então estou solteira. Eu aprendi a ser muito independente nesse meio tempo. Sempre fui, segundo minha mãe. Ela conta que no meu primeiro dia na escolinha, com uns 3 anos, quando geralmente as crianças choram por ter que se separar da mãe, eu mandei ela embora, assim que a professora apareceu (risos). Aprendi a ir ao cinema, shows, bares, sozinha….e é ótimo! Mas voltando as mudanças….eu curto demais mudar. O meu critério de mutação acaba sendo o cabelo e as tatuagens. Já fui ruiva, tive o cabelo bem curtinho, pintei de preto, deixei ele num tamanho médio, fui aloirando pra minha cor natural, repiquei, raspei um lado, e agora, fiz os dreads. Já as tattoos, que somam oito, eu vou fazendo quando dá na telha, e cada uma acaba simbolizando algo que me marcou de certa forma. As pessoas até já esperam coisas novas de mim, sabem que eu não fico muito tempo “igual”. Uma amiga compartilhou uma frase dia desses e eu roubei pra mim: “Se você me conhece baseado no que eu era um ano atrás. Você não me conhece mais. Minha evolução é constante, permita me apresentar novamente”, prazer, Stephany Sander!”

“Hoje, com quase 30 anos, eu gosto do meu nome, mas durante a adolescência eu odiava ele (a gente odeia o mundo nessa fase né). Me perguntava por que eu não podia ter nascido uma Ana, Sofia, Clara, qualquer da vida. Um nome tem PH no lugar de F, e Y no final…é muita consoante pra um nome só. Eu já fui chamada de Estefania, Stífani, e até Jeniffer (oi?). Minha mãe conta que poucas meninas tinham esse nome quando eu nasci, e que ela tirou de um livro – do Sydney Sheldon, que eu adoro – quando estava grávida. Aliás, é impossível falar de mim, sem falar da minha mãe. Até uns 3 anos atrás, eu brigava muito com ela. Discutíamos, por culpa minha claro, de ficar sem se falar por dias. Brigávamos a ponto de eu levar tapa na cara por ter desrespeitado ela. Não me orgulho disso e hoje tento recompensar o tempo que perdi com ela. Quando eu fiquei solteira, decidi morar sozinha, pagar as contas e me virar, literalmente, com dois empregos, a gente se aproximou muito, e eu comecei a perceber o quanto a força dela contribuiu pra minha personalidade. A minha mãe é a melhor pessoa que eu conheço. Ela se formou na faculdade, é professora de Física, depois dos 35 anos. Ela ia pras aulas grávida do meu irmão mais novo e conseguiu concluir o curso depois de 7 anos estudando e trabalhando. Ela aprendeu libras, pra ensinar seus alunos surdos. Ela patina, faz natação, Pilates, e tá sempre disposta pra qualquer coisa. Hoje eu vejo que ela, assim como meu pai, estão envelhecendo, e isso dá um puta medo. Minha mãe tem Lúpus, uma doença auto imune, que nela, ataca a articulação. Além de tratar essa doença, ela ainda está curando um câncer na bexiga, descoberto no ano passado. Mesmo com medo de não se livrar dessa doença, que levou o pai dela há 3 meses, ela não tira o sorriso do rosto. Ela me xinga quando eu “invento moda” no cabelo, quando eu mostro uma tatuagem, ou tomo decisões do dia pra noite, mas eu sei, que ela sempre vai estar do meu lado.

Não, eu nem sempre me achei bonita. Tive uma adolescência complicada. Eu era a menina mais alta da classe (tenho 1,74 desde os 12 anos) e estava acima do peso. Tinha apelidos como baleia, Dona Gorda e Boto, que me faziam manter distância dos meninos. Além das gordurinhas, eu tinha bastante seio, e me escondia atrás de roupas largas e de uma franja, que cobria metade do meu rosto. Sempre fiz muito exercício: futebol, ginástica olímpica, natação, vôlei. Mas enjoava fácil e não conseguir gostar de nenhuma modalidade. Pelos 13 anos, comecei a fazer dieta, com o acompanhamento de uma nutricionista, e logo depois entrei na academia, pra fazer aulas aeróbicas – nada de puxar ferro. Naquela época comecei a mudar. Passei a me importar com as curvas que estavam escondidas nas calças de abrigo e a começar a passar rímel, mesmo sabendo que o suor ia fazer com que elas borracem minhas bochechas. Comecei a me aceitar aos poucos, ao ver meu corpo ficando mais forte e encorpado. Mas, uma coisa ainda me incomodava. Meus seios. Eles eram desproporcionais, grandes, e eu, mesmo namorando, não me sentia confortável sem sutiã. Depois de guardar dinheiro, finalmente marquei uma cirurgia plástica. Reconstruí meus seios (a recuperação não foi nada fácil) e fiz nascer minha auto estima. É incrível como algo, que pode ser considerado supérfluo, pode fazer tanta diferença na nossa personalidade. Passei a me cuidar ainda mais, a praticar Muai Thay (já faço há oito anos) e a me aceitar, mesmo com ainda algumas dobrinhas, quilinhos a mais, e imperfeições. Aquele papo de que a gente precisa se amar, pra ser amada, faz todo o sentido, e precisa sim, ser levado ao pé da letra. Eu sou apaixonada por mim e acho que as pessoas veem isso, nos meus olhos, no meu sorriso. Claro que eu quero ter alguém ao meu lado, ainda sonho em casar (durante o dia, numa fazenda linda) e ter filhos. Mas eu não preciso de alguém pra ser feliz. Eu mesma me completo.”

“Elas são estupradas, não tem acesso ao tratamento psicológico e medico minimamente adequados.
Não podem abortar, não podem tomar pílula do dia seguinte.
Assedio, violência, falta de segurança, medo….

A saúde da mulher está nas mãos de alguns poucos homens que dizem saber o que é melhor pra elas, sem sequer escutá-las.

Essa imagem representa o sentimento de milhares de mulheres no nosso país.

Amarradas, cegas, impotentes, incapazes de protestar contra as barbáries votadas na câmara, vividas na rua, dentro de casa, no trabalho….

A todas vocês, nossa solidariedade.”