Mayanna Rodrigues

Mulheres

 

– A Dança, como tu decidiu por ela, como apareceu na tua vida?

– Na verdade eu danço desde pequena, desde que eu me entendo por gente. Com 13 anos eu até fiz parte de um grupo de street dance. Mas foi quando quando eu decidi que eu ia morar sozinha em 2004, eu comecei a andar com um povo mais cabeça aberta assim. Em seguida eu fui morar no Rio e tava participando de um desfile, tinha um cara que vendia show de dança e strip lá. Depois do evento ele me perguntou se eu não tinha interesse em fazer parte disso, eu ia fazer 18 ainda mas como sempre fui de me jogar, fiquei com o contato dele. Quando eu fiz 18 eu liguei pra ele, e ele me levou pra Balneário. E quando eu fui pra lá.

“E depois de balneário esse cara me mandou pra POA, pra que eu dançasse na Ibiza, em Atlântida. Então eu vim pra cá e amei Porto Alegre, e pensei: vou me mudar pra Porto Alegre. Então eu liguei pro cara e falei que ia ficar por aqui. Nessa época eu ia direto na Neo. Namorei o Marco Madrid, andava sempre com o E-flux e aquela galera. Fiquei um ano aqui, daí resolvi meter o pé e ir pra São Paulo. Deixei tudo aqui, saí com duas malas e uma passagem de bus. Conheci um cara aqui e ele me deu um cartão dizendo: Quando você for pra SP, procura uma casa chamada American Bar, porque lá rola strip tipo americano, você tira a roupa e os caras pagam. Cheguei no aeroporto e fui catando as informações. Me colocaram numa pensão temporária pra que eu pudesse começar as performances. No primeiro mês que eu estava dançando apareceu uma booker de pornô. Perguntou se eu queria entrar pra esse mundo e eu falei: óbvio”.

“Eu sempre fui meio fascinada por esse mundo e tudo mais. Ela me levou pra uma produtora chamada Sexxxy onde gravei meu primeiro filme, e me chamaram pra mais dois. No terceiro, conheci uma menina que tava fechando com uma produtora Gringa, daí me indicaram porque eu era novata. Daí fui lá conversar com um cara e ele me deu ideia da proporção da coisa. Em 2005 eu gravei muito até 2006, mas basicamente pra essa produtora gringa. E quando tu grava, aparecem vários trampos envolvendo a área”.

Eu nasci em Belo Horizonte, e minha mãe foi morar um bom tempo no Rio. Meu pai quando se separou dela foi pra Maceió. Morei um tempo com meu pai e depois fui pro Rio. Ele, o meu pai, ficou de cara porque ele me dava tudo! Tudo mesmo. Eu morava em frente a praia, estudava em escola particular, e depois que eu sai da casa dele, em 2003, nunca mais nos falamos. A gente vivia de boas, mas minha madrasta tretou comigo feio. A gota d’água foi quando ela entrou no meu quarto pra mexer nas minhas coisas, porque ela achava que eu era estranha já que eu jogava RPG, ouvia música do demônio (hahaha). Música do demônio: “Rock n’ Roll”.

Indo pro Rio, eu consegui um trampo na Kraft, naquelas lojas e tal. Então eu falei com a minha mãe que ia morar com uma amiga. E minha mãe já foi muito louca. Em Minas, ela foi Miss Simpatia, foi Rainha da Cebola, Rainha do milho. Era o terror da cidade, ela até bateu em homem. E ela sempre me disse pra eu fazer o que quisesse, mas que eu não sumisse. Minha mãe é ótima. Em 2006 eu fui pra Europa por um convite. Fiquei um ano lá, dancei em Ibiza mesmo, fui coelhinha da Playboy, quando participei do concurso Conejitas, e saí nessa edição especial lá. Em 2007 voltei e tentei uma vida “normal” no Rio. Fui atrás de emprego, voltei com um ex e fiquei 7 meses lá. Até que em dezembro daquele ano, eu recebi um e-mail porque eu tinha reativado meu perfil no orkut, e um booker me queria em SP. Ele me fechou no Vírgula Girl e mais alguns trabalhos como Erótika Fair, Dream Cam e tal. Em 2009 eu entrei no Xplastic. Um ano depois disso, já naquele fervo, ele me apresentou pra Chris Lima, falando que ela tinha um projeto, que era um lance com uma dupla de bi-feminino, usando fetiches e tal. Daí surgiu o Fetish Dolls. Eu topei e a gente fez esse trampo junto. Foram 3 anos de muito trampo. A gente fez uma performance no “Qual é o seu talento”, só que foi barrado. Hahaha

Mais ou menos por 2012, o lance tinha dado uma reduzida. E nessa época me convidaram pro The Burlesque Takeover, que é esse grupo de burlesco no qual eu atuo até hoje junto com a Sweetie Bird e o Marcelo D’Avilla. A partir daí comecei a ir pra noite mais mainstream de SP. Nesse mesmo ano, eu entrei pra Dirty Kidz Gang, foi tudo meio junto, o que deu muita visibilidade e comecei a fazer várias outras festas como a Strondo, Paradise Rockers. Foi quando a Sweetie e eu começamos a fazer mais trabalhos juntas. E daí o Valen Bar convidou a gente pra começar nossas performances no Valen daqui de PoA. Eu também participo do PopPorn que é um festival anual de pornografia independente, tem a festa Simetria em Brasília. Sou shotgirl da festa do Suicide Girls e ano passado eu fui indicada como melhor cena de fetiche no Prêmio Sexy Hot mas não ganhei. Esse ano eu recebi outra indicação, a de Melhor Atriz LGBT pelo filme “Jujubas” da Xplastic e ganhei o prêmio.