Mary Roessler

 

Meu nome é Mary Roessler, tenho 22 anos, signo de câncer e tenho 1,50m. Nasci em Porto Alegre mas meu crescimento todo foi no interior do Rio de Janeiro. Minha vida nunca foi fácil, mas também nunca me queixei dela. Minha história tem tantos pontos, e tão poucas virgulas… e eu agradeço imensamente por ter conseguido fechar portas a abrir janelas. Sou bailarina profissional de dança do ventre, já viajei para o Egito e outros lugares pra dançar. Estou me formando, e meu sonho é juntar as minhas duas profissões: dança e fisioterapia.

Tudo começou em 1994, quando mãe, então com 19 anos, engravidou do seu melhor amigo. Lindo, não?

Não sei se posso dizer isso… Meu pai nunca foi presente na minha vida e muito menos na minha criação, minha mãe sempre foi mãe solteira.

A grande chave da minha criação, descobertas, vivências e amadurecimento eu dedico quase que 100% à minha avó, que desde que nasci foi a pessoa mais presente em minha vida. Sou absurdamente agradecida por ter crescido com ela, e sei que muito do que sou hoje é por causa dela.

Com 5 anos de idade tive que escolher ficar com a minha mãe em Porto Alegre ou ir pro Rio de Janeiro com a minha vó e por escolha minha eu fui pro Rio de Janeiro.

Lá, passei toda a minha infância, foi onde cresci, sonhei e também descobri muitas coisas. Foi lá, onde me encantei pelo Hipismo e fiz disso a minha vida. Morava dentro de uma hípica. Tinha tudo que eu podia sonhar – não que eu quisesse muitas outras coisas. Vivendo no meio de pessoas muito ricas, eu vi o melhor e o pior das pessoas, amor, carinho, amizades, ignorância, egoísmo e muita falsidade.

Sempre fui uma pessoa muito ingênua, mas no meu amadurecimento pude sentir na pele o que a falta de medo pode nos proporcionar. No ano de 2006 tive que dizer adeus, e voltar pra Porto Alegre. Deixei tudo pra trás, meus amigos, meus amores, meus sonhos… pra ir pra cidade grande conhecer o mundo. No ano em que vim para Porto Alegre morei com a minha mãe, por volta de 2 anos, e que anos… Posso dizer que foram anos péssimos, não por causa dela, e sim por causa da relação dela com meu padrasto. Apavorante!

Tenho certeza que muito dessa convivência interferiu no meu envelhecimento e nas decisões que tomei nessa época, infelizmente. No mesmo período encontrei a dança, era um momento muito difícil porque tudo pra mim era novo, precisava descobrir o que me completava, e a dança veio totalmente de encontro com isso tudo.

Logo depois voltei a morar com a minha vó, e foi nessa época então que as coisas desandaram.

Minha vó havia perdido um filho em 2004 num acidente de carro, e por uma profunda depressão virou alcoólatra. Não fazia qualquer sentido pra mim.

A mulher que sempre foi meu ideal, se render a uma droga destas?

Eu era criança, então não entendia, mas com o passar do tempo comecei a me dar conta da situação. Foram momentos péssimos, presenciava minha avó em pedaços, tentando suicídio e chorando todas as noites. Em 2010 eu havia mudado de escola. Tinha começado a estudar em um colégio grande, onde passei por diversas situações constrangedoras e sofri Bullying.

Em casa eu tentava ajudar a minha vó, e na escola me odiavam. Tive que dar um jeito nas coisas e sei que dependia de mim.

Um belo dia achei uma garrafa de vodka escondida no quarto dela.

Peguei e pus em cima da mesa na hora do jantar, ela ficou furiosa e disse “Você é uma mentirosa, armou isso pra mim!!!”.

Depois desse dia, felizmente, as coisas começaram a mudar pois eu jamais aceitaria minha vó me chamando de mentirosa, então falei que iria sair de casa e cortar relações com ela.

Foi quando ela admitiu que  precisava de ajuda, entrou numa clinica psiquiátrica e já fazem 6 anos que não se deixa levar pelo álcool. Ela diz que fui o anjo da guarda dela, e espero que tenha sido.

Tive vários relacionamentos, e de todos os tipos. Comecei a namorar muito cedo, com 14 anos. Meu primeiro namorado era 2 anos mais velho que eu, um cara legal, mas eu não sabia direito o que sentia por ele, talvez tivesse sido algo de paixão, que quando ela acabou, toda a beleza e carinho também haviam acabado.

Meu segundo namorado hoje em dia é meu amigo, só tenho a agradecer por ele ter passado na minha vida, porque com certeza foi um dos relacionamentos que mais me fez crescer.

Ele era muito parecido comigo, tivemos momentos maravilhosos juntos, mas ele mesmo foi sincero e quis viver a vida dele por ser muito novo.

Meu terceiro relacionamento foi complicado… Acho realmente que a gente amadurece nas falhas, no sofrimento e nas decepções. Se posso ser sincera, este relacionamento foi o que me levou do inferno ao céu, foi totalmente abusivo, do inicio ao fim.

Brigas, humilhação, traições, ofensas e falta de respeito. Demorei pra criar coragem e enxergar a situação, porque eu estava tão envolvida com a confusão de sentimentos, que eu tinha perdido a minha essência.

Até ter chegado o dia que mudou toda a história, ele me intimou: A dança, ou o nosso namoro?

Parabéns pra ele, pois eu abri meus olhos.

Por nada abro mão da minha dança, e dizer “não” pra essa pergunta foi tão fácil, que simplificou tudo.

Logo depois desse namoro eu comecei a me relacionar com outro homem e esse relacionamento me levou pro hospital por uma agressão física, um tapa e 2 socos.

Namorado? Não, não, nós não tínhamos nada.

Fiquei internada na minha própria casa por tentativa de suicídio. Eu não sabia mais o que estava fazendo, não sabia mais nem pra onde estava indo. Aquele momento sozinha foi fundamental pra mudar da água pro vinho toda minha forma de ser e de me relacionar com os outros.

Agradeço a vida por ter passado por tudo que passei.

Hoje não tomo mais antidepressivo e não faço mais acompanhamento psicológico, tive alta.

Hoje namoro um homem sensacional, que me entende e entende toda a minha história.

Hoje moro com a minha família, minha mãe, minha vó entre outros familiares.

Hoje eu sou feliz, tranquila, não tem brigas, não tem depressões.

Precisei presenciar o pior das pessoas pra enxergar em mim mesma o que era bom pra mim. Hoje sei dizer não, sei dizer chega, e sei quando vale mais um ponto do que uma virgula.

Hoje eu sei que antes de me entregar a alguém eu preciso conhecer a mim mesma.