Marília Drago

Mulheres

“Acompanho o Bendito há tanto tempo já.
Mas quando surgiu, eu namorava e sabe como funciona a hipocrisia dessa sociedade né?

Ta aí um grande problema: Quando nos importamos demais com a opinião dos outros e deixamos nossas vontades de lado. Por muito tempo fui assim, me privava de vontades com medo do que as pessoas iam pensar.
Enfim… Fiquei solteira e continuei acompanhando os trabalhos, ficava imaginando se um dia seria eu ali. Quando surgiu a oportunidade, me joguei.
Hoje eu lido bem com o meu corpo, confesso que não tenho muitos pudores.
Mas jamais imaginei que eu me sentiria confortável em fazer isso.
Mas é libertador sabia?
É tão lindo quando você vê o resultado e se sente bem na própria pele.
Você enxerga aquela beleza que por muito tempo procurou em você mesma.
Se torna confiante de novo.

Eu tenho um problema de autoconfiança desde pequena. Acho que nunca contei isso pra ninguém. Sofri muito bullying quando era mais nova! Sempre me senti o patinho feio da turma.
Estava bem acima do peso, tinha os cabelos enrolados e muito curtos, orelhas bem grandes (haha) e era estrábica. Sim, tudo isto unido a um turbilhão de hormônios brotando em mim. Era sempre a ultima a ser escolhida pra tudo.
Que fase horrível! (Eu sei que faz parte) Mas passou. Hoje já me sinto melhor comigo mesma.
Não é mais daquela forma, mas ainda não consigo me sentir a mulher mais maravilhosa do mundo. E eu sei o quanto isso é errado, mas to trabalhando nisto…”

“Vai soar meio irônico o que eu vou dizer, porque me enxergo um pouco (ou muito) também quando toco nesse assunto…

Escuto muita gente falar que os jovens de hoje se cobram demais, se programam demais e se algo foge um pouco do planejado, se frustram de uma maneira incompreensível.

E eu concordo…

Acabam se privando das coisas por intolerâncias que criam dentro de si próprios e depois colocam a culpa no tempo.

Mas sabe.. eu amo viver assim! Assim mesmo como eu vivo hoje: Enlouquecida, sempre correndo, sem dormir, cheia de compromissos…
Parece que me sinto útil!
Passei os últimos anos procurando uma certa identidade perdida, um “quem sou eu de verdade?”. Quase uma crise de adolescência tardia.
Engraçado, porque quando eu realmente era adolescente eu sabia muito bem o que queria, de mim, da vida. Mas chegou num ponto que parecia que tinha parado no tempo, foram anos em que sentia que estava estagnada..
Eu namorava, me acomodei.

Tudo estava mais ou menos bom e o que não tava eu não fazia nenhum esforço pra mudar.
Não me achava bonita, estava bem acima do peso..
Até que chegou um dia em que uma pessoa, que até então era “estranha”, me perguntou qual era o meu maior sonho na vida.

Eu não sabia responder. Simplesmente não sabia!”

“Minha irmã….
Minha “preta, preta, pretinha”.
Amor da minha vida. Impossível falar de mim sem falar dela. Ela é tudo pra mim… E ta passando por aquela fase chata (pra ela)(e talvez pra mim também haha) da adolescência onde as vontades são imensamente maiores do que é permitido se fazer.
É punk..
Engraçado que não sei lidar. To aprendendo e enlouquecendo um pouquinho haha.
Faço o que posso pra amenizar essa angústia que ela passa na fase da adolescência. Mas não extrapolo, porque acho que é essencial ela passar por tudo isso, aprender a lidar com todos esses “nãos”,enquanto um turbilhão de hormônios ocupam o corpo dela, e o mais importante: aprender que tudo tem o seu tempo.
Isso que nos faz crescer, amadurecer..
Deixo ela andar com as próprias pernas, sem deixar de mostrar que eu sempre vou estar ali amparando e “segurando na roda de trás”,da mesma forma quando eu a ensinei a andar de bicicleta sem rodinhas.”