Mariana Nascente

Meu nome é Mariana e tenho 19 anos, nasci em Porto Alegre e logo fui morar em Esteio. Foi assim que eu passei pelo menos até meus 18 anos, morando um ano em esteio e outro em Porto Alegre e vice versa, cada vez que me mudava era porque meus pais se separavam e depois voltavam novamente no outro ano. Sempre tive dificuldade pra fazer amizades, então cada vez que eu conseguia formar vínculo com algumas pessoas, eu me mudava novamente e começava tudo do zero. As separações deles foram o que mais estragou meu psicológico, porque desde pequeninha acompanhava tudo de perto, sabia até os motivos. Por causa disso acho que desde os meus 9 anos comecei a me afastar do meu pai, mesmo morando junto, nas fotos antigas da pra ver que até os abraços pra foto eram distantes. Desde então a gente só se suportava, e como eu morava com eles, ele sempre tentava me fazer ter respeito com chantagens e xingamentos. Quando fazia alguma coisa errada ou ele ficava bravo por algo vinha chuva de adjetivos: sua merda, imundície, não serve pra nada, imbecil, um dia até saiu a frase que eu só atrapalhava a vida deles. E foi aí que comecei a achar isso mesmo, porque sempre foi muito eles> eu.

Nisso eu vivia cada vez mais no meu mundo, pensando 24 horas por dia nas coisas da vida, nos porquês e tudo mais, sempre gostei muito de escrever, então fazia textos sobre isso num caderno que tenho até hoje. Nos meus 14 anos foi a época mais difícil com certeza, morando em Porto Alegre fiz um círculo de amizades com quem saía frequentemente. Depois de um bom tempo, eu não lembro porque começou, mas briguei com algumas meninas desse círculo e todos viraram contra mim. Um dia fiz um book pra uma agência e postei as fotos, essas meninas com quem briguei fizeram toda a internet falar de mim, no Twitter esse era o assunto, até pessoas que eu não conhecia falavam. Fiquei bem mal e dormi por dois dias seguidos sem fazer nada porque só queria que isso passasse. Eu era muito magra e não tinha feito plástica no nariz ainda. Tinha milhares de apelidos. Tudo o que eu fazia ou postava, virava deboche. E isso é um dos motivos que me faz ser tão “presa” hoje, ou repensar cada palavra que eu digo no dia pensando se não passei alguma vergonha. Isso já foi pior, hoje tenho consciência de que as meninas que falavam de mim não são superiores do que eu e que o que elas faziam era fruto de mente pequena. Enfim, nisso eu me afastei de todo mundo, só ia pra escola e ficava vendo filmes e dormindo sempre. Acho que ainda falava com umas duas amigas, que a amizade dura até hoje. Nesse meio tempo minha mãe teve câncer na hipófise e as brigas com meu pai aumentavam cada vez mais. Foi bem difícil, pensava muitas vezes em “acabar” com tudo de uma maneira trágica. No outro ano fui morar em Esteio com a minha tia, já que eu aprontava bastante porque queria ser “rebelde” por causa dos meus pais. Alguns meses depois minha mãe se mudou para Esteio comigo, se separando novamente, e eu fiquei quase um ano sem ver meu pai. No outro ano, com 16 anos, eles voltaram novamente e consequentemente voltei pra Porto Alegre, estava em um colégio novo e não tinha amigos, mas falava com alguns colegas. Nesse ano comecei a namorar, ele era de Esteio e eu ficava mais na casa dele do que na minha, então passei a conhecer as amizades dele, que acabaram se tornando minhas amizades também. Com 17 anos voltei a morar em Esteio com a minha mãe e era colega do menino que eu namorava, assim cada vez mais as amizades dele viravam as minhas. Com quase 18 anos nós terminamos, depois de 2 anos e pouco, e aí eu me vi perdida. Porque foi quando eu percebi que tava vivendo a vida dele, sendo amiga dos conhecidos dele e frequentando lugares que ele ia. Eu não sabia mais quem eu era, do que eu gostava e o que eu iria fazer. Foi aí que eu comecei a tentar me redescobrir, a conhecer bem os amigos que fui conquistando depois disso, a descobrir do que eu gostava e não gostava. Nesse meio tempo eu tive meningite e fiquei 10 dias na UTI, sem conseguir mexer os pés e as mãos, tive dois derrames no peito, um em cada lado, e se passou um filme pela minha cabeça, de toda minha vida. Meus colegas fizeram um vídeo pra me mandar força, minhas amigas iam uma cada dia me ver e muita gente que eu não esperava foi falar comigo e me desejar força. Nesses dias eu valorizei muito cada amizade que tinha do meu lado e passei a acreditar que as pessoas gostavam de mim de verdade, ao contrário do que eu pensava antes. Tudo ficou bem, meus pais estavam voltando e nós nos mudamos pra Cachoeirinha, onde moro atualmente. Hoje trabalho no tour da arena, tenho os meus amigos um em cada canto das cidades, mas cada um com um carinho e importância enorme.

Sou completamente apaixonada pelos meus cachorros, o Toby e o Zac, e já descobri bastante coisa sobre mim. Eu quero ainda viajar o mundo e conhecer todos os tipos de lugares, peguei gosto pelo futebol e agora sou bem chata com isso. Falando em chata, todo mundo que me conhece já me chamou de chata pelo menos uma vez na vida, sério!! Sou muito chata ainda mais quando vejo que estou certa sobre alguma coisa ou quando quero teimar sobre algo. Eu gosto de tudo que é diferente e do contra. Sou dona na razão e ao mesmo tempo tenho um coração muito mole, não consigo guardar rancor das pessoas, sempre me entrego mais do que devia e acabo quebrando a cara, principalmente com amizades. Eu gosto bastante de ler livros e amo Harry Potter. Eu sou completamente desorganizada e desastrada. E sou uma palhaça porque gosto de ver os outros sorrirem. E por que eu quis fazer o ensaio do bendito fruto? Achei lindo o objetivo do projeto e me identifiquei, quis me aventurar e ver no que ia dar, ainda no objetivo de descobrir quem sou, e o resultado foi ótimo, eu me vi com outros olhos, ganhei mais confiança e de brinde ganhei mais duas pessoas maravilhosas que conheci na minha vida e com certeza voltarei pra fazer mais ensaios.