Luiza Castro

Mulheres

“Aos 16 anos tive meu primeiro relacionamento. Ficamos juntos três anos, ele era engraçado, fazia todo mundo rir. Mas nossa relação era conturbada, com muitas brigas e às vezes até ameaças.

Terminamos algumas vezes, ele tentou suicídio nesse meio tempo e as pessoas me julgavam achando que eu não dava suporte emocional.
O que elas não sabiam é que eu me sentia despedaçada toda vez que tinha notícias de que ele estava no hospital e frustrada por não conseguir fazê-lo feliz enquanto estivemos juntos.

Demorou pra eu entender que não era culpa minha aquela situação, nem dele.
Decidi me afastar assim que percebi que nada mudaria por minha causa, mas que eu podia fazer algo diferente por mim. Quando terminamos pela última vez, ele ameaçou suicídio novamente se não reatássemos.

Foi até a minha casa, com uma arma calibre 22 e dizia que ia cometer suicídio na minha frente. Mesmo com todo medo e dor no momento decidi que não ia mudar minha opinião.
Fui até o fim dizendo que não reataríamos e que ele deveria procurar ajuda. Ele puxou o gatilho com a arma na cabeça e percebi que não tinha munição.

Daquele momento em diante decidi que ia esquecer aquilo tudo e esqueci. Até os bons momentos.

Ele cometeu suicídio em novembro de 2013, fazia 5 anos que havíamos terminado, mesmo assim, senti muito. Senti por ele não conseguir ser feliz, senti por sua mãe, que perdeu o único filho, senti pelos amigos que perderam as alegrias que ele proporcionava. Quando soube, busquei em algum lugar da memória e só assim me lembrei do grande amigo que ele era antes de nos relacionarmos como namorados.”

“Meu sonho sempre foi ser independente.

Não me importava qual profissão ia seguir, se faria faculdade ou não.

Eu só queria conquistar minhas próprias coisas, ter minha própria vida.
Saí de casa sem nada e fui morar em Porto Alegre com 20 anos, trabalhei com telemarketing enquanto fazia o curso técnico em Enfermagem e fui me virando, nessa época eu quase não dormia, era estudar, trabalhar, ônibus, correria, não tinha nem tempo de comer direito.

Financeiramente também foi uma barra enorme. Mas deu certo, amadureci muito, evoluí como pessoa.

Até que no ano passado minha mãe passou por um problema de saúde e precisou passar por uma operação.

Quando percebi que ela não era imortal, embora ela sempre tivesse passado a impressão de que era, eu decidi largar meus dois empregos, e voltar para minha cidade natal, pra ajudar na recuperação da cirurgia e pra ficar mais perto de todo mundo.

Depois de algum tempo, com muito cuidado a minha mãe ficou ótima mas eu percebi que aquele não era mais o meu mundo e aquela não era mais a minha vida, eu estava estagnada, não estava feliz mesmo estando com a minha família.

Planejei que voltaria pra Porto Alegre no início do ano, mas antes disso, em Dezembro, depois de muito estresse fui passar uns dias em Florianópolis na casa de um amigo, levei uns currículos, e comecei a correr atrás. As coisas começaram a acontecer, consegui trabalhar e as coisas tem dado certo desde então.”

“Conheci uma pessoa muito especial esse ano, diferente de todas que pude conviver, talvez a mais original.

Gosto do jeito dele, de não se importar com o que os outros pensam.
Quando começamos a nos relacionar eu estava fechada, não queria me magoar mais nem me dedicar a alguém. Liguei pra ele e disse que não podíamos mais nos ver.
Ele foi super natural e aceitou numa boa.
Admirei muito ele naquele momento e ficamos sem nos falar acho que por uma semana ou mais.

Mas eu senti falta da presença dele, de esperar ele no meu apartamento, de ficar bêbada e falar a verdade.
De rir com ele, de conversar.
Mas não liguei, não procurei, sou assim, sempre fui. Nunca fui de pedir ajuda pra ninguém, tento me virar sozinha ao máximo, sei lá, acho que não gosto de incomodar, é meu jeito.

Mas em agosto eu passei por uma situação bem complicada e abri mão do meu orgulho, mandei uma mensagem pra ele pedindo ajuda porque sabia que ele saberia o que fazer.
E ele soube. E sem pensar duas vezes, ele foi lá e fez o que era preciso.

Daquele momento em diante eu sabia que podia contar com alguém de verdade, não só em palavras mas em atitudes. Aceitei que gostava dele e o melhor, consegui assumir isso.

Tenho meus defeitos mas sinto que estão mais amenos desde que o conheci. É a pessoa certa pra mim.”