Kimberly Nunes

Mulheres

“Meu primeiro namorado foi aos 14 anos, e eu vivi pra ele. Deixei meus amigos de lado pra ficarmos juntos. Quando terminamos eu fiquei muito mal, e a minha fuga era sair e fazer festa. Hoje em dia a gente se fala e ele pensa em voltar, mas eu não quero abrir mão da liberdade que eu conquistei”.

“Minha mãe mudava sempre de casa, e nos criou sozinha. Durante a infância a gente tinha muita incerteza sobre o futuro. Se teria comida, se teria grana pro aluguel, essas coisas. Eu sendo a mais velha tive que trabalhar pra ajudar ela. Quero ser delegada federal, por isso eu vou começar Direito, mas meu sonho mesmo era entrar pro exercito”.

“As pessoas acham que eu sou arrogante, mas isso é porque eu sou muito na minha. Gosto de não precisar me importar com a opinião dos outros, ninguém cuidar as roupas que eu uso. Não consigo entender porque tanta gente quer controlar a vida alheia. Mas pagar as minhas contas ninguém quer!”.

“A minha mãe e eu somos muito teimosas mas nenhuma das duas dá o braço a torcer. A gente sempre foi muito próxima, ela tentou me proteger muito no começo do meu namoro. Depois eu percebi que era pro meu bem, que ela me ama do jeito dela e que a gente só tem uma a outra lá em casa. Precisamos estar unidas.”

“Quando eu tinha 6 anos, eu fui abusada pelo meu pai. Foi por isso que meus pais se separaram. Ele um dia foi me dar banho. Eu era criança, não entendia bem as coisas. Então a mãe chegou do trabalho e percebeu o que estava acontecendo. Foi bem complicado. Mesmo depois disso eu ainda procurava ele, eu sempre amei meu pai. Eu guardei isso dentro de mim por muito tempo, eu não falava disso com ninguém. Anos depois, eu estava num passeio com minha dinda e minha mãe, e resolvemos conversar sobre isso e ela me disse que eu precisava perdoar meu pai. Porque isso me prejudicava muito e pesava mais em mim. Essa mágoa só ia fazer mal pra mim. Nessa época eu comecei a ir mais na igreja e tentar entender e perdoar ele dentro de mim. Hoje eu posso dizer que perdoei ele”.