Juliane Alves

“Então, meu nome é Juliane, tenho 23 anos e sou advogada.(Siiim, enfiim! Hahaha).
Eu nasci e fui criada aqui em Porto Alegre, pelos meus pais, até meus 12 anos quando em função da separação deles passei a morar apenas com a minha mãe.

Por algum motivo a minha infância foi bloqueada das minhas memórias então lembro de poucas coisas da época, mas o pouco que lembro foi ótimo.
A relação com a minha mãe sempre foi ótima. Já minha relação com meu pai, passou por alguns momentos complicados, talvez por termos personalidades muito parecidas.
Hoje felizmente superamos isso e vivemos muito bem.

Acredito que as principais pessoas que passam pelas nossas vidas levam um pedacinho de nós e nos cedem um pedacinho delas também.
Aprendemos e ensinamos, na maioria das vezes sem nem nos darmos conta.
Acho incrível quando há essa troca! Se houve um único acontecimento em especial para que eu me tornasse a Ju de hoje, não recordo. Mas em especial a figura da minha mãe, sempre foi meu maior exemplo.
Uma mulher, guerreira, vitoriosa, trabalhadora, honesta, extremamente forte (embora as vezes ela duvide disso) com uma mente aberta e a frente do tempo dela. Admiro muito minha mãe!”

“Felizmente eu tenho muitas lembranças felizes da minha vida, seria difícil escolher.
Entre as lembranças mais felizes da minha vida eu citaria quando passei na OAB, aquele misto de alívio com felicidade, orgulho, sensação de missão cumprida, gratidão. Somados ao abraço que ganhei da minha mãe, que certamente também estava explodindo de felicidade…. Mas também teve, recentemente quando estava com meu pai pagando uma promessa próximo a uma prainha de Ipanema, uma vista linda. Estávamos agradecendo aos orixás e meu pai me deu um abraço forte e me falou coisas tão boas, nos emocionamos e senti uma sensação, uma vibração maravilhosa. Duas lembranças inexplicáveis.”

“Já tive muitos problemas em relação a minha percepção sobre o meu corpo.
No início da adolescência por ser bem gordinha tinha muita vergonha do meu corpo e de certa forma me escondia.
Ia a praia de camiseta e short.
Com o passar do tempo emagreci e percebi que ainda estava insatisfeita. Ao observar isso comecei a fazer uma análise de qual seria o motivo dessa insatisfação e como eu resolveria isso.

Embora eu já expusesse um pouco mais o corpo, usando biquíni, shorts, saias e vestidos mais curtos ou blusas mais decotadas, ainda não me sentia confortável comigo mesma.
O que me atrapalhava bastante, em diversos aspectos da minha vida, me tornando uma pessoa insegura.
Ainda estou no processo de “aceitação” do meu corpo. Claro que ainda quero mudar algumas coisas nele, mas já percebo que muitas características que eu julgava feias nele não passam de neuras minhas.
Muitas causadas porque acreditava, mesmo sem perceber, que o padrão midiático é único corporal aceitável e desejável. Felizmente aos poucos tenho desconstruído da minha mente essa idéia que a mídia nos impõe e consigo ver mais beleza em mim, no meu corpo, exatamente como ele é.”

“Sempre acho que as pessoas ao meu redor me vêem como uma ogra. E se não vêem assim é porque ainda não me conhecem direito!
Hahahahah… brincadeira
Já me disseram que essa percepção também é distorcida, mas ainda acho que as pessoas sempre vão me achar uma ogra, realmente. Meio desengonçada, desastrada, jeitão meio maloqueira, espalhafatosa, entre outras coisas. Por vezes já quis me ver com olhos de algumas pessoas pra saber como elas realmente me enxergam. Seria muito interessante!”