Julia Maria

Mulheres

“Ninguém nasce prevendo o futuro, nem tua própria mãe que te pôs no mundo sabe o enredo da vida do filho.
Minha mãe ficou grávida jovem com 19 anos e quando foi contar ao meu pai ele simplesmente desapareceu. Meu avô era preconceituoso, como podia uma mãe solteira criar uma filha sozinha e por cima filha de negro? Então minha mãe lutou muito pra conseguir me sustentar e eu crescer com uma mente aberta.
Nos meus 21 anos conheci meu pai biológico e sinceramente, não sinto rancor nem ódio ou algo parecido por ele. A gente amadurece e pensa nas coisas boas que a vida proporcionou e pode proporcionar em relação a isso, e hoje após oito meses de eu ter tocado no meu pai pela primeira vez, eu vejo o quanto eu sou grata por tudo o que aconteceu nesse pequeno pedaço de vida.
Se eu tivesse crescido ao lado do meu pai, talvez eu não teria conhecido “pais” tão maravilhosos e atenciosos como foram meus tios, meu avô, meu padrasto, minha mãe (que foi pãe) e minha vó.”

“Resolvi encarar a ventura do bendito fruto (aventura, porque foi difícil eu aceitar a idéia de que eu ficaria com meu corpo a mostra pra muitas pessoas das quais eu conheço e muitas não), fui motivada a fazer por uma pessoa que entrou na minha vida como o “amor da minha vida”, mesmo a gente não tendo caso nenhum, que é a menina que mora comigo.
Sempre sofri preconceitos em relação ao meu corpo, tanto dentro da minha própria casa quanto na rua. Escutava coisas como: “tira essa roupa, gorda não pode usar isso”, foi então que resolvi me encarar em muitas atividades físicas para ver se eu me encaixava no padrão de beleza dessas pessoas. Comecei a jogar rugby, fiquei em torno de dois anos jogando, depois fui pra academia e nada me dava prazer em fazer, parecia que era uma obrigação eu estar ali pra poder agradar outras pessoas e não a mim.”

“Hoje eu faço tecido acrobático/dança aérea e ando de bicicleta. Me encontrei na vida, num lugar e num esporte que ninguém olha pra mim e me julga por eu estar 20kg a cima do meu peso ideal. E sinceramente, eu ser assim e fazer tecido acrobático é questão de vencimento ao meu próprio corpo, cada subida no tecido e um truque diferente, é uma estrelinha a mais que eu ganho no meu caderno.
Então ultimamente eu me aceito assim, com meus bacons a mais.”