Julia Caumo

Mulheres

“Sou locutora numa rádio comunitária da minha cidade. Comecei com um programa infantil quando tinha 9 anos e só parei por um ano quando fui pro convento”.

“Eu lembro quando fui pra jornada mundial da juventude recentemente. Eu mal sei português e via pessoas de todo o mundo e não entendia nada do que elas falavam mas eu chegava neles e me comunicava e de alguma forma eles me entendiam. Lá conheci uma brasileira na vigília do sábado, todo mundo tava exausto e eu me preparei pra passar frio, fome e ficar exausta, mas estranhamente eu não senti nada disso e tinha essa guria que tava completamente exausta e eu fiquei muito próxima dela consolando, conversando. Foi incrível”.

“Quando era mais nova eu montava um mini circo no terreno da minha casa. A gente montava bancos e fazíamos comida e ganhei uma caixa de mágica, então eu fazia um show de mágica”.

“Meu pai diz que eu sonho demais e que sonho muito alto, eu tenho consciência de que vou quebrar a cara muitas vezes mas mesmo assim eu não desisto. Ah, a minha mãe segurou vela no meu primeiro beijo”.

“Meu avô era uma referência na minha cidade. Ele ajudou a erguer a economia local. Então quando ele teve um AVC, todas as noites a família se reunia lá com ele. Nós revezávamos lá e numa noite em que eu estava, demos remédio pra ele. Pela manhã e ele começou a passar mal e chamamos a ambulância. Eu vi os enfermeiros carregando ele enquanto ele pedia pra ficar. Eu tava com meu primo quando o telefone tocou e minha tia atendeu. Ela ficou desesperada e soltou o telefone no chão. Fiquei em pânico achando que ele tinha morrido e era apenas o pneu que tinha estourado. Tinha tanta gente envolvida nisso que nem usaram macaco hidráulico e levantaram a ambulância no braço pra trocar o pneu. Infelizmente, chegando na cidade, ele não resistiu e morreu”.