Jady Dewitt

Mulheres

Meu nome é Jady, nasci em Porto Alegre.
Eu sempre fui uma criança muito extrovertida, brincalhona, amorosa e que adorava chamar a atenção das pessoas. Mas sempre vou lembrar quando fui pra creche pela primeira vez, foi um filme de terror!

Fui muito maltratada, passei fome… Até o dia em que minha mãe resolveu parar de trabalhar e cuidar mais de mim.
Com 5 anos fui colocada numa escolinha de dança e ali surgiu um grande amor pela arte que é a dança! Nunca mais parei.
Minha mãe sempre quis ser uma grande bailarina mas um acidente de de moto a fez abandonar essa ideia, então depositou em mim as esperanças desse sonho que ela nunca pode realizar. Lembro até hoje da minha primeira apresentação, vestida de palhaço e correndo pelo palco, minha mãe sempre ali me aplaudindo e me incentivando. Pra mim, o mais importante sempre foi deixar ela orgulhosa.

Meu maior sonho é ser reconhecida com o que eu gosto de fazer, dançar.
Já sofri muito preconceito por ser tatuada, ter piercing e não ter um padrão de corpo como deveria ser. Mas uma coisa que aprendi é que se eu quero, eu consigo!
E não importa o que os outros vão falar, devo centrar no que realmente me faz feliz e enfrentar esses preconceitos. Por me cobrar demais, já fui prejudicada fisicamente exigindo mais do que meu corpo realmente aguentava. Faço tratamento fisioterapêutico para tratar uma lesão séria que tenho na perna esquerda e conseguir manter minhas aulas de dança. As coisas se tornam um pouco mais difíceis e cansativas.

As vezes tenho vontade de largar tudo pro alto! Se ficarmos ligando para tudo que os outros falam nunca vamos seguir adiante. Liguei realmente o botão do foda-se e faço o que eu quero!

Não tenho rótulos, marcas ou impressões. É na pele, no corpo, na carne que vem a minha arte, a forma pela qual me expresso.
A dança que se manifesta em mim explode em leveza, segue pelo corpo pintado e por isso uma vez rejeitado. O coque perfeito e a ponta ideal, debaixo da vestimenta exponho meus desenhos e tudo vira arte sobre arte! Com paixão tomo voz e silencio o grito do preconceito e quebro tabus. Nunca fui fã dos puritanos e jamais me rendi a inocência.
Gosto mesmo é das personagens da vida real que se fodem legal. Sou mulher que quer perder e ganhar, gemer e gozar, entrar num devaneio e afundar-se de um jeito…

Mulher que não se segura diante de uma canalhice e admite, mulher que gosta de sexo e sabe que no fim é normal alias sexo é bom e aguça o instinto animal. Sou mulher de muito: muito inteiro ou muito nada, desconheço meias medidas. Sempre fui oito ou oitenta, se for para amar que seja de verdade e eu posso me jogar, mergulhar.
Sempre fui uma pessoa muito diferente, em todos os aspectos. Passei por momentos fodidos e encarei eles como aprendizado. Sempre fui muito ligada a minha mãe e quando ela fez a terceira cirurgia dela, aconteceram muitas complicações que fizeram com que ela passasse alguns meses no hospital e isso me afetou bastante…
Pensei que nunca mais ia ter ela do meu lado de novo.

Aos 8 anos ela era e é o meu chão, mas nesse tempo fiquei “morando” com uma amiga dela que me levava para a escola e cuidava de mim enquanto meu pai trabalhava e ficava no hospital com ela.

Nesse meio tempo, não ter meus pais por perto me afetou muito na escola, sem contar as provocações pelas quais passei.

Tentei ser forte e não demonstrar o quanto aquilo estava me machucando. Desde aquela época tive que aprender a ser forte e enfrentar a vida.

Sou o que sou hoje por tudo que passei e só tenho que agradecer a todo mundo que passou pelo meu caminho.

Hoje tenho amor próprio e me acho linda do jeito que sou e nenhum preconceito vai me impedir de ser quem eu quero ser, aliás não podemos agradar todo mundo mas quem está do meu lado sempre vai ter o meu amor, carinho e cuidado.