Giulia Oliveira

Mulheres

“Até pouco tempo eu estava morando em Porto Alegre e eu sou totalmente diferente da pessoa que veio de Gravataí pra cá. Aqui foi muito diferente. Pessoas completamente diferentes, ideias diferentes. Gente muito mais aberta, diversa. Comecei a olhar pras pessoas e não pros rótulos delas. Eu tinha vivido minha vida inteira lá e naquela mentalidade de lá e agora eu vejo um mundo muito maior aqui”.

“Quando eu pensei em fotografar eu mostrei pro meu namorado e perguntei pra ele o que ele achava. Perguntei se ele ficaria incomodado. Ele disse que mesmo que ele ficasse, isso era algo pessoal meu, uma escolha minha e que só diria respeito à mim”.

“E a gente começou em dezembro, engraçado que no dia do natal, estávamos indo pra casa de um amigo dele, e fomos assaltados. Eu fiquei sem dinheiro pra voltar pra casa e ele disse: Dorme la em casa!
Eu fiquei preocupada com os pais dele. Mas ele disse que daria um jeito. No fim, acabei sendo apresentada meio que sem querer e ficou tudo bem”.

“Nunca gostei de coisas que soam muito mastigadas e parecem que te colocam num lado ou no outro. Eu vejo que o extremismo, pra qualquer dos lados, ele não faz bem, não é saudável. E eu não faço as coisas esperando algo em troca, eu faço porque eu acho que é certo. Por exemplo, se tu acha que alguém é especial pra ti, tu tem que mostrar isso e demonstrar com atitudes”.

“Uma das coisas que me fez recuperar a fé na humanidade foi num casamento no começo do ano. Eu estava numa cidade pequena, e esperava escutar todo tipo de besteira retrograda lá. Mas sabe que o padre falou uma coisa que me fez reacender essa esperança. Perguntaram pra ele se essas relações novas, entre pessoas do mesmo sexo não iriam estragar a família. E ele disse:

‘Olha, eu estudei muito pra falar o que vou falar eu vou dizer. Isso existe desde sempre. Essas relações. E não é isso que vai estragar a família. O que estraga a família é a falta de diálogo, a falta de estar junto, de amor, de respeito. Isso estraga a família’.

É bizarro porque as pessoas falam hoje de gays como falavam de negros 50 anos atrás.
Eu já vi uma pessoa se culpar por amar alguém. Imagina como isso eh triste”.