Dyelli Ribeiro

Mulheres

“Eu sou ansiosa, nervosa, hiperativa, impaciente, se tu me vir quieta, eh porque tem algo errado”.

“Sempre fui uma pessoa cheia de metas mas sinto que eu perdi um pouco disso quando vim pra Porto Alegre. Em 2011 eu passei o ensino médio e acabei um namoro de 4 anos. Queria começar tudo de novo aqui. Mas quando cheguei nessa cidade, eu entrei em depressão. Meus amigos ficaram todos na minha cidade e eu aqui enfrentando essa vida de adulto que eu queria muito mas quando eu tive, eu não tava preparada. A minha meta era dar uma vida melhor pros meus avós e meus pais. Começando por dar um carro novo pro meu avô, ele tem um chevette dos anos 80 que eu nem sei como anda mas que sempre quebrou meu galho”.

“Quando minha avó teve o primeiro AVC, nos saímos daqui 4h da manhã pro Rio Grande, porque não tem hospital em Santa Vitoria do Palmar. Chegamos lá e ela brigou comigo, me dizendo que eu deveria estar estudando e não viajando por causa dela. Então ela entrou em coma, ela estava segurando minha mão. Eu tentando dizer pra ela ficar calma e nem eu mesma conseguia, é muito difícil porque eu sempre fui a forte, sempre ouvi que eu deveria ser forte, e naquela hora, eu não queria ser forte”.

“Eu era uma pessoa covarde, nunca gostei de sentir adrenalina, mas naquele momento eu só pensava em acelerar com meu carro o máximo que desse, e fazer qualquer coisa pra evitar aquela dor. Nessa época quem mais me ajudou foi a Paty, ela foi minha primeira amiga aqui em Porto Alegre. Ela é muito maternal, me ligava de 5 em 5 minutos e não me dava nem tempo de pensar em chorar”.

“Minha mãe tá fazendo aquela panqueca com molho branco… ela não gosta muito de cozinhar, mas cozinha muito bem”.