Caroline Juchem

Mulheres

Eu não gosto do interior, me sinto meio presa, aquela ideia de 20h aquele silencio, os animais, o barulho de cigarra… isso me entedia.
Talvez por ser meio acelerada, então gosto de estar na cidade e os barulhos dela…”

“É incrível mas a mulher ta sempre sendo julgada.
Eu por exemplo, eu sou uma pessoa vaidosa. Gosto de andar arrumada e eu vejo que as pessoas as vezes dizem: ai, a Carol é uma patricinha, é perua…
E eu penso “Cara, eu trabalho desde os meus 18 anos tenho meu dinheiro, passei num concurso, patricinha o teu cu, só porque eu uso maquiagem, só porque eu gosto de usar rosa…”
A gente ta sempre sendo julgada, se ta mal vestida, é “suja” “feia” “largada” parece que nunca tem um meio termo e isso é um saco…”
“Uma vez, tinham dois caras afim de mim.
Um cara muito legal, todo certinho e outro completamente avesso, todo errado, aquele que era certo que daria errado.
Acabei escolhendo esse.
Ficamos juntos por dois anos, e foi sempre conturbado, sofri, chorei… mas sempre pensei, e se eu tivesse escolhido o outro, será que daria certo? Então eu ficava fantasiando cenários, imaginando, como teria sido.
Esse relacionamento foi de extremos. Muito feliz mas também muito triste.”
“Numa época da minha vida, eu queria morar fora, fazer algo diferente…
Conversei com uma amiga minha e o nosso plano era juntar grana e ir, estudar e tudo mais.
E no decorrer disso a guria começou a me enrolar… So que eu ja tinha pago a taxa de passaporte e tudo.
So que eu decidi ir sozinha mesmo assim.
Eu lembro que eu tava numa empresa boa ha quase 5 anos.
Dai eu acabei pedindo demissão, vendi o carro que eu tinha. Minha viagem ia acontecer em maio e minha mãe era muito contra eu ir.
E eu correndo pra conseguir visto, arranjar emprego pra onde eu ia e tinha amigos que estavam la, super bem já então eu tava me planejando.
E nessa semana de preparação, eu tive uma amigdalite terrível, a pior possível. E eu não conseguia nem falar. Fui no medico e a única opção que eu tive foi a de fazer um dreno.
A coisa foi tao intensa que pra reduzir a dor me deram morfina. Só que eu acabei tento que fazer uma cirurgia, dois dias antes da viagem… “
“E acabei tendo que transferir a viagem. Isso me custou uma grana absurda.
Então eu fui com apenas 600 dólares e 15 dias de hospedagem paga, achando que seria fácil conseguir emprego, eu achei que seria tranquilo, mas não foi nada fácil.
Fiquei muito tempo a base de fast food por que não tinha grana.
Ate que um dia dois brasileiros me ouviram dizer que tava procurando emprego e disseram que a churrascaria na qual eles trabalhavam estava contratando.
Então fui direto la, com o currículo na bolsa e dois dias depois me chamaram pra um teste, perguntaram se eu sabia fazer caipirinha e que teria que ficar no bar.
Eu disse: Claro…eu sou brasileira.
Só que fazer caipirinha em casa é uma coisa e fazer num bar de grande movimento, corrido, é outra coisa! Aquela maquina de pedidos voando e eu lá correndo sem parar…

Eu ganhava mal, mas ao mesmo tempo eu conseguia me divertir muito.
Com o que eu ganhava nesse lugar, eu ja pagava aluguel, ponto.
Ate que eu consegui outro emprego pra trabalhar outros dias da semana num outro restaurante, dai conseguia ganhar um pouco mais, mas também, eram 10 horas por dia, lavando, limpando, servindo, varrendo…
Mas valeu muito a pena. A experiência toda fora do país me fez muito muito bem mesmo.”