Camilla Collao

Mulheres

 

“Minha mãe e meu pai biológico casaram e eu nasci, mas ele nos abandonou quando eu tinha quase um ano, acabamos ficando apenas minha mãe e eu. Eu nasci com um problema renal e quando tinha por volta de 2 anos eu tive uma crise grave. Minha mãe estava no ponto de ônibus numa noite de chuva esperando o ônibus pra me levar pro hospital quando um colega de trabalho dela passou e nos deu carona para o hospital. Chegando lá, depois dos exames descobriram que eu precisaria passar por uma cirurgia. Uma cirurgia bem cara. Minha família não tinha como pagar por ela.

Então esse colega dela vendeu o carro pra pagar a minha cirurgia. Isso acabou aproximando minha mãe e ele.
Eles ficaram juntos e desde então, ele é o homem que eu chamo de pai”.

“Com 16 anos eu entrei pra faculdade e quando faltavam 10 cadeiras pra eu me formar em arquitetura, percebi que não era aquilo que eu queria. Minha mãe surtou. Nós temos personalidades muito, muito fortes. Como somos muito parecidas, principalmente nesse aspecto, aos 22 eu sai de casa pra salvar a relação que eu tinha com ela. Porque italiano só para de brigar pra comer”.

“Eu saí de casa com 6 caixas de roupa. E mais nada. Então eu fui pra um apartamento no qual tinha uma cama e um armário da época do descobrimento do Brasil eu acho, eram muito velhos. Minha mãe achava que eu não fosse aguentar muito tempo mas eu disse pra mim mesma que no dia que eu saísse de casa, não ia voltar, mesmo que precisasse dormir cada dia na casa de um amigo…

Algum tempo depois, consegui um apartamento maior, convidei minha família pra ir lá e eles ficaram impressionados com tudo que eu tinha conseguido”.

“Teimosa: é uma palavra que me define bem. Mas em compensação, eu amo ser desafiada. Basta me dizer que eu não consigo, pra eu fazer.”

“(…)quando eu não gosto de alguém eu não consigo nem ser cínica, meu santo não bate e eu sinto que algo bom não vai acontecer, e eu sempre percebo que estava certa.”