Bruna Diehl

Mulheres

 

“…meu avô era bastante ausente, minha avó que era o homem da casa. Ela foi incrível e isso se refletiu na minha mãe (…) com 12 anos ela, minha mãe, teve que cuidar do meu tio, que teve câncer. Durante a vida dele, varias vezes Deus avisou ele que ele deveria ser mais responsável…. mas acho que não adianta muito”.

 

“Eu nunca nem conheci meu pai. Ele nunca foi presente. Minha mãe foi o meu pai, e cumpriu esse papel muito bem. Ela faz tudo por mim e pelas minhas irmãs, e nem pensa pra fazer algo que a gente peça. A mãe é daquelas pessoas que prefere segurar tudo no peito pra não prejudicar os outros”.

 

– Qual foi o momento mais feliz da tua vida?
– Pra mim, felicidade é um estado de energia, momento, situação, circunstancia, então todos que eu posso, eu transformo.

 

“Minha irmã conheceu um cara na internet. E ela me disse que ele queria vir morar perto da gente pra ficar com ela. Eu lembro de dizer “isso não vai dar certo”. Mas deu. Eles se encontravam na rua, namoro de portão. Eu não lembro muito bem quando eu conheci ele mas lembro que minha mãe quando viu ele, se encantou na hora.

Aos poucos a gente começou a conhecer quem ele era de verdade. Um cara humilde, batalhador, que tirava da própria boca pra pra dar pros outros. Nunca ouvi ele falar mal de alguém. Uma vez ele disse que tinha que ir pra cidade dele. E mesmo sem dinheiro, ele não aceitou de ninguém e disse que ia dar “um jeito”. Então ele fez uma placa escrito “Agudo” que era a cidade dele e saiu a caminhar e conseguiu ir de carona pra lá. Quando ele veio pra cá, morava numa espécie de pensão. Um lugar muito ruim mesmo.

Com o tempo, minha família se mobilizou e construiu um lugar pra que ele pudesse morar num lugar decente. Quando ele e minha irmã terminaram eu me afastei dele por um ano. Mas ele manteve contato com a minha família.

Então ganhou uma bolsa de estudos em Santa Catarina. Foi pra lá em Novembro do ano passado e ficou até Março agora. Numa terça, ele voltou pra cá, magro, cansado, mas tinha conquistado uma moto. Só com o dinheiro do trabalho dele.

Nessa mesma semana, na sexta, ele sofreu um acidente….

Quando minha irma me falou, eu entrei em pânico. Tudo ficou confuso, pra mim, visão embaçada, sabe?

Eu tinha ele como um irmão. Ele ficou 41 dias na UTI, entre altos e baixos..

Teve um dia que ele abriu o olho e teve um dia no qual ele mexeu a mão, e eu tava lá, e peguei a mão dele, e senti ele ali. E falei pra ele: olha pra mim, eu to aqui do teu lado. E ele mexeu a mão.

Os médicos disseram que não era consciente, que eram impulsos nervosos. Mas eu sei que ele tava me ouvindo, me entendendo e que ele não conseguia ficar lá. No meio disso, ele ficou muito doente por conta dos antibióticos.

Ele teve uma doença terrível. E essa doença destruiu ele completamente. Eu fui ver ele então e nesse dia tava nublado. Quando eu saí, depois de ver ele naquele estado, eu tava apreensiva. Chegando em casa eu vi cair um raio e naquele momento eu aceitei que Deus levasse ele, pra que acabasse com o sofrimento dele. Naquele momento ele foi.

E então a minha família desmoronou com ele e eu vi meu padrasto chorar pela primeira vez. Mas ao mesmo tempo, eu sinto que ele uniu a minha família. Mesmo no fim, ele nos ajudou. Todos os dias eu rezo e peço por ele. Tem uma parte do jardim na minha avó que ele fez, e ate hoje a gente preserva como o canto dele”.

 

“A gente precisa falar. Não guardar as coisas pra si. Porque guardar pra si é remoer e se eu pudesse falar com a bruna de 5 anos atras, eu diria que ela tem que falar o que ela pensa, o que ela gosta…”.