Aline Viana

 

Ter a plena consciência de que eu não era o que as pessoas diziam, eu não era só o que eu via no espelho. Eu era mais do isso. Eu era todos os meus dezoito anos, eu era/ainda sou e formo uma história, que toma inúmeros rumos. E meu corpo faz parte disso — personagem principal dela — porque com todos os seus traços, curvas e dobras, ele a conta. Ele conta todos os meus risos, choros, angustias e devaneios. Entender o quão fundamental ele era, me fez mais empoderada. Fez-me acordar todas as manhãs olhando para cada dobrinha com olhar de admiração. Eu sou um conjunto; eu sou uma construção: se desabando, desmontando e se erguendo. Todo dia é uma luta e eu escolhi lutar.

Eu precisava de uma nova visão, eu já estava esgotada de me olhar no espelho e não gostar do que eu via. Em meio a muita turbulência e conflito, eu vi que eu não queria mais me sentir assim. O ensaio veio para consolidar o tratado de paz com o meu corpo. Eu não queria mais guerras, eu só queria ser eu. E agora posso!  Ter noção do quão incrível a gente é, nos torna imbatível para enfrentar esse mundão aí.

Viver é isso: é estar num constante questionamento e não aceitar tudo de todos. Questionem-se! Tornem essa pratica habitual, não aceitem tudo. Isso é fundamental na aceitação dos nossos corpos. Somos lindas do jeito que somos; somos nosso próprio lar.