Alexia Pimentel

O nome do meu pai era Alex Sandro, aí decidiram que o meu seria Alexia pra combinar com o dele. Eu amo isso, amo que meu nome se pareça com o dele.
Acabei de completar 20 anos, bem no dia da mulher, outra coisa que amo, tenho orgulho de ter nascido nessa data tão importante.

Cresci num pátio com 4 casas, tudo família, praticamente só mulheres. Durante meu crescimento fui cuidada por minhas tias, minha mãe sempre trabalhou e se esforçou muito pra não me deixar faltar nada.
Eu era uma criança um pouco mais quieta que o normal, apesar de que nessa época eu gostava de ser o centro das atenções, as vezes eu e minhas primas ensaiávamos músicas para se apresentar pra família, é muito engraçado pensar que eu era assim pois hoje sou o oposto.
Sou filha única então minha relação com minha mãe sempre foi boa, tenho muita admiração por ela e ela sente orgulho de mim, o que me deixa realizada.

Eu sofri bastante bullying no colégio, eu era muito magra e desajeitada, os colegas faziam músicas de zoação e colocavam apelidos, algo que é comum nas escolas, porém sempre fui sentimental e isso me afetou muito, deixou marcas que carrego até hoje. Isso com certeza me deixou mais forte e mais consciente do poder que as pessoas tem sobre tua mente e o quanto tu não pode te deixar influenciar, o que, sem dúvidas, acendeu meu interesse pela psicologia, o curso que estudo hoje em dia.

Apenas uma pessoa sabe, a pessoa que mais me conhecou até hoje, o quanto eu sou sentimental. Todos que tem contato comigo me consideram uma pessoa meio fria, é a imagem que eu passo. Eu sou quieta, observo demais e falo de menos e talvez eu não ria tanto como as outras pessoas. Acredito que principalmente a minha família tenha essa imagem errada de mim, eu não consigo chorar na frente deles, seguro a emoção e fico com minha pose de durona. Isso é algo que não consigo compreender o motivo de fazer, não tem necessidade mas é involuntário não revelar minhas emoções. Quando na realidade eu sou a pessoa mais chorona que conheço, eu sinto muito, me importo muito, temo muito, desejo muito e me decepciono muito, tudo isso apenas dentro de mim, sem nunca revelar pra ninguém.
As vezes sinto que sou uma uma esponja que suga pra si todas as emoções do ambiente. O lugar e as pessoas que eu estou literalmente controlam meu humor. Se eu sentir que alguém ta mal com algo, automaticamente eu vou ficar mal, o peito aperta, o ânimo termina e me sinto carregada. Por isso dificilmente eu consigo animar alguém que ta mal, eu dou força, converso e aconselho, porém o mal passa pra mim também e logo desanimo.

Eu tinha 6 anos, era um domingo de jogo do internacional, meu pai era torcedor fanático. Como morávamos num pátio, a família se reunia pra fazer churrasco e ficavam na rua conversando. Meu pai, dentro de casa olhando o jogo, comemorou os dois gols do time dele. Quando o inter fez o terceiro gol, apenas o silêncio. Minha mãe falou brincando pra eu ir olhar se meu pai estava bem, pois não tinha comemorado. Eu fui. Ele não estava bem.
Naquele domingo que era pra ser um dia em família, meu pai faleceu com 26 anos, deixando uma filha de 6 e uma esposa sem chão.
Acredito que a morte de alguém que amamos não é algo que conseguimos superar, apenas vamos lidando com a falta da pessoa. Eu era muito criança e não entendia muito bem o que tinha acontecido, por isso o dia mais triste da minha vida foi dias depois da morte dele, quando ele faria 27 anos e vi minha mãe chorando, minha tia falou pra eu ir abraçar ela pois aquele dia seria o aniversário do meu pai, poucos dias após o falecimento. Nunca vou me esquecer da dor que senti, foi quando caiu minha ficha…

Se eu pudesse dar um conselho pras pessoas eu com certeza diria que precisamos ter mais amor, empatia, consciência, compreensão e carinho. O mundo sempre foi um lugar complicado de viver, obviamente por culpa de nós, humanos, que ainda não aprendemos regras básicas de convivencia. É muito preconceito, muito egocentrismo, violência. É uma corrida pra ver quem chega primeiro no topo, deixando feridos e arrasados pelo caminho. Amem o próximo, sejam compreensivos com as diferenças, abram a mente e aceitem novas ideias, novas opiniões. ‘Mais amor, por favor’