Aélia Azevedo

Mulheres

 

“Quando criança eu lembro de gostar tanto de brincar de carrinhos quanto bonecas, lembro que queria usar maquiagem, não sei dizer se por influencia de alguma figura mais velha ou amiguinha e lembro que a minha mãe não aprovava isso, tratando como hipersexualização. Fui crescendo sofrendo os bullyings padrão da vida e quando comecei a andar com grupos maiores de amigos e depois trabalhar fui vendo que pra conviver num ambiente onde homens predominam seria necessário me adaptar…

Aí criei um mecanismo de defesa: Meu estilo tomboy de ser…”

 

“Algumas vezes sofri com machismo no trabalho. Dois ex-colegas do meu primeiro emprego inventaram histórias sobre mim e passaram adiante…

Acredito que eu ainda tô num processo de mudança pra me encontrar realmente. Esse processo iniciou quando trabalhei numa startup, lá a minha forma de enxergar as coisas foi mudando. Eu podia confiar nos meus colegas de trabalho, era todo mundo muito cool. Depois, numa repartição publica eu encontrei o lado “fancy Aélia”, comecei a me sentir a vontade pra usar roupas mais Girly e então quando entrei na empresa na qual estou hoje, conheci muita gente nova eu vi que eu posso me proteger seja com a minha atitude ou cara de carranca e ao mesmo tempo vestir o que me dá na telha.

Acho que tô redescobrindo uma vontade que havia enterrado aos poucos. Eu quero realmente me reinventar o máximo que conseguir porque eu deixei muita coisa passar. Perdi muito tempo sem me mexer, só vendo a vida passar.
Não sei exatamente, mas eu sinto que as pessoas gostam e confiam mais em mim agora. As pessoas dizem coisas como: “como tu fica mais bonita quando está feliz”, “tu tá feliz né?”

Desde que comecei a mudar a forma de me vestir me sinto mais confiante…”

 

“Comecei a beber muito nova, por pura onda do momento e isso, apesar de parecer divertido algumas vezes, não me trouxe qualquer orgulho. Eu suprimia uma ansiedade com o álcool, como se algo estivesse sempre faltando e me impedisse de ficar parada sozinha. Hoje fico meses sem beber, porque de certa forma essas mudanças recentes na minha vida me fizeram ver que aquela antiga rotina de tomar porre toda a semana era vazia. Beber tanto não me acrescentou nada de bom. Não fazia mais sentido.”

 

– Qual é o teu maior problema atualmente?

– Falta de organização financeira.

 

 

“…Eu acho que as pessoas deveriam ser mais verdadeiras consigo e com os outros….

Mentir pra si mesmo nunca funciona, é preciso se entender e se aceitar.”